| Maria do Socorro-Presente! |
| Aula do Prof Ronaldo Lima Lins No HCTE/UFRJ |
| Maria do Socorro-Presente! |
| Aula do Prof Ronaldo Lima Lins No HCTE/UFRJ |
| Manifestação no CEPG-UFRJ |
Desnecessário apresentar Ronaldo Lima Lins.
Ronaldo, professor, diretor da Faculdade de Letras, amigo, poeta, escritor, intelectual e político. Facetas que compõem um homem que não se limita à estreiteza unidimensional.
O Movimento Universidade Crítica manifesta seu apoio ao movimento pela emerência do Professor Ronal Lima Lins.Sua emerência, até agora não encaminhada pelo seu departamento de origem, representa muito mais do que uma justíssima homenagem e reconhecimento do valor da sua belíssima carreira como professor da Faculdade de Letras da UFRJ.
Sua emerência, solicitada num abaixo-assinado com mais 800 assinaturas, muito além de possibilitar a continuidade do seu importante e necessário trabalho na UFRJ,materializa a continuidade de um projeto de universidade plural, onde idéias conversam e não são caladas pela força.
Somando-se ao Movimento ao Mestre com Carinho o Movimento Universidade Crítica apóia e luta pela emerência do Professor Ronaldo Lima Lins.
A conquista de sua emerência simboliza a defesa de um projeto de universidade plural, que não se curva a força imposta, autoritária e por isto medíocre. Representa muito mais, representa o sonho maior da necessária e permanente construção e manutenção da UFRJ como um espaço de livre pensar. Método, este sim, adequado para produção de conhecimento e a serviço de uma UFRJ plural,pensada como espaço de reflexão e não de opressão.
Monólogo para Três Cabeças Pensantes- Parte I
ou
Triste UFRJ
7. A grande questão. A universidade pública num país capitalista. Enquanto o capital canibaliza o planeta, nossas cabeças “pensantes” viraram avestruzes. Será que a universidade não tem mais nada a dizer e a fazer? De quem foi a decisão de formarmos jovens “empreendedores”? De nos limitarmos aos interesses do mercado?
Prof. Jose Antônio Marins Simões
IF/UFRJ

Monólogo para Três Cabeças Pensantes- Parte II
ou
A UFRJ pelas bandas do mar
Aqui a ilha se amarela e o mar ao lado, acanhado, se esconde atrás do moderno edifício. O monstrengo da Petrobras se impõe sobre nossos sonhos e nossas pesquisas e nem mais nos incomodamos, afinal, a ponte nos livrará dos engarrafamentos e o carnaval e a chuva que não vem e o ano que pacientemente espere meados de março, quando atônitos e robotizados, enfrentaremos nossas tarefas e contaremos os feriados e notaremos que nossos alunos são mais e piores e que nossas instalações são as mesmas e não dão conta das nossas necessidades e cruzaremos todos os dias do palácio do petróleo e passaremos todos os dias pelos escombros do Hospital bombardeado por nossa omissão e descaso. Lamentaremos mas sem emoção, acabaremos por concordar que não há mesmo muito a fazer. As decisões, afinal não passam por nossas salas de aula nem por nossos laboratórios nem por nossas conversas e muito menos por nossos técnicos e alunos que não foram ouvidos nem sobre a edificação do monstrengo nem sobre a destruição intempestiva do hospital abandonado.
Aqui a ilha se amarela, o calor transborda de azul o cinza que se insiste cinza em nossos desassossegos. A UFRJ vendida aos editais se esquece de pensar o mundo. Das chuvas de Janeiro, estamos cuidando, os bandidos, Credo Cruz, evaporaram-se graças à eficiência de nossos policias, no Alemão só se fala inglês e pobre de Vito Manuel que não sabe inglês; do deserto de ideias que se inaugura em mais esse ano de faz de conta, não, ninguém se importa, ninguém percebe.
Aqui a ilha se amarela, o mar se foi por trás dos sonhos adiados, já não mais nos damos conta de sua presença, já nos esquecemos do sabor das aventuras e do alcance dos sonhos. Impedidos do mar, já não mais pensamos o Rio. Cobertos de medo, assistimos, silenciosamente, o naufrágio da UFRJ.
Sim, teremos eleições para reitor e os corredores buchicham e nos gabinetes, os telefones não param, mas imitando o país, com suas eleições silenciosamente eletrônicas, com suas repetições do mesmo, seguimos, mais outra vez, a triste lógica do “eu quero mesmo é me dar bem” e as chapas que se apresentam, representam mais o monstrengo que nos divide, o hospital que se desfez do que os alunos técnicos e professores que aqui trabalham com uma réstia de sonho e justiça em suas mãos.
Escondidas em silêncios e vergonhas as questões que uma universidade pública deveria levantar e refletir e debater e por fim, agir e deliberar, ainda se agitam. Há que escutá-las entre os escombros e espelhos desta ilha adormecida. Por onde andarão nossas ideias de ensino-pesquisa-extensão unificados e investigativos? Perdidas e desfeitas por pesquisas financiadas por interesses restritos ao mercado financeiro. Ensino desacreditado, envergonhado e extensão pífia. Aqui, professores são punidos se seus interesses se desviam dos das linhas previamente aquinhoadas por nossas agencias financiadoras. Aqui, professores são condenados a salas de aula. O ensino se tornou envergonhante, a extensão, pífia. Vive-se o faz de conta do progresso inevitável. Sem tempo para refletir copiamos o que se nos é imposto sem sequer conversarmos entre nós mesmos sobre o que estamos fazendo. Vivemos encastelados em nossos laboratórios sem saber o que estamos medindo e para quê? Vivemos preenchendo formulários e pedindo financiamentos e vendendo nossa capacidade produtiva a qualquer oferta de qualquer dinheiro. Há muito não mais nos preocupamos com nossas condições de trabalho. A UFRJ se terceiriza às grandes multinacionais e não existimos como universidade. As perguntas soterradas sob os escombros do que já não somos lentamente desaparecem. E o que sobra somos nós, esperando, silenciosamente, contando os feriados e esperando, esperando, enquanto o calor acontece. Não seria a hora, essa sempre agora, de pensarmos o que fazer com isso, antes de repetirmos os mesmos erros de sempre, antes de nos contentarmos, silenciosamente, mais uma vez, apenas com as mudanças dos nomes dos mesmos?
Prof. Ricardo Kubrusly
IM/HCTE/UFRJ
Preparava-me para abrir este manifesto no estilo-chamamento “Vote Nulo na eleição para Reitor ou Construa uma chapa que não represente o continuísmo”, quando, nesta tórrida manhã de sábado ao ligar o ventilador caiu literalmente da minha prateleira uma mensagem de Zeus na forma de um pergaminho velho, de escritor desconhecido.
Título: Sobre meninos e vacas, mais um desastre literário em um monólogo para três cabeças.
Explicava o preâmbulo: “Trata-se de uma carta anônima, sem destinatário, ...escrita numa língua nativa estranha para professores da UFRJ.” Dela eu registro a última parte.
O Hoje que te escrevo é sempre um amanhã desconhecido.
E logo depois:
Quando a morte, vestida de mãe e em onça disfarçada, reconhecendo sua derrota para o amor, despede-se do velho professor apaixonado, ele interrompe sua retirada e a chama: ‘Não vais agora. Ela há de me fazer sofrer e tu me consolas. Mão de mãe não fere, a dor não deixa marcas’.”
As escavações continuam... Parece que há sempre algo que escapa à solvência unânime do lodo”.
Assim inspirada, não vejo o momento para meu chamamento panfletário, mas sim para um chamamento contra a solvência unânime no lodo”.
Lodo que pouco a pouco engole a UFRJ, transformando a educação numa instrumentalização massiva, exigência para o necessário ganho de competitividade na lógica do capital. Lodo onde a UFRJ afunda procurando saídas dentro da estreita ótica do modelo capitalista de sociedade.
E assim brotam as “inovadoras” soluções para criação de uma nova sociedade " auto-sustentável , pautada no desenvolvimento tecnológico e na gestão do conhecimento”. Empreendedorismo, a milagrosa fórmula para cura de todos os males é pauta das infindáveis reuniões que traçam “metas “e “ missões ” de todos os nossos mandatários de plantão. Solução primária, falsa e inconsistente, que nos afunda no pantanoso e inexorável caminho traçado pela ótica do capitalismo selvagem e belicista.
Sabemos, especialmente se adotarmos o rigor do método de análise concreta da História, que as inovações tecnológicas são o caminho para a necessária mudança para uma nova sociedade, ao mesmo tempo em que constitui exigência de sobrevida do capital. Solução, tão velha quanto o capitalismo, que traz em si a contradição do próprio modo de produção capitalista.
A nova e estarrecedora conjuntura, tão cruel como as já vividas em outros ciclos de crise mostra – outra vez – que o capitalismo segue o inexorável curso previsto por Marx: diminuição tendencial das taxas de lucro, queda de salário e miserabilização progressiva população mundial. Em Marx também, está explicitada a necessidade permamente da inovação tecnológica como condição de sobrevida do capital, com a incorporação ao processo produtivo de máquinas e inovações tecnológicas para aumento da “competitividade”.
Mudanças que trazem como conseqüência direta a diminuição da taxa de mais-valia e não colocam outra alternativa para sobrevivência do capital que não seja a expansão de mercados e o aumento da exploração da força de trabalho, do trabalhador.
Desnecessário enumerar os exemplos de miséria no planeta, quer nos entornos do Vale do Silício, templo maior da sacralização da tecnologia, e no trágico cotidiano dos da Índia, celeiro de tantas e competitivas inovações tecnológicas .
Soluções verdadeiras devem seguir o caminho apontado por D. Harvey: “É preciso resgatar o capitalismo dos capitalistas.” Desmascarar sua fraudulenta ideologia neoliberal e todas as suas tensões e contradições internas, já insustentáveis, para que, como disse Marx, “o capitalismo desapareça e se abra caminho para algum modo de produzir alternativo e mais racional.”
Assim refletindo, fico a nos perguntar:
#Que UFRJ queremos?
# Minerva, até quando, te curvarás submissa e respeitosa à lógica do capital?
# Reitoria, até quando defenderás o Reuni, as expansões sem estrutura e atrasarás as bolsas de estudantes alojados numa precária e vergonhosa construção?
# Reitoria, até quando permitirás a privatização dos estacionamentos do CT, a exploração dos guardadores e terceirizados?
# Mais ainda, há diferenças entre as chapas concorrentes?
E assim pensando respondo:
Vote Nulo ou Construa uma Chapa que reinvente nossa história na contra hegemonia do capital.
Profa. Vera Salim PEQ/COPPE/UFRJ
A grande recusa hoje
“O movimento começou muito inocentemente... como um
movimento pela reforma universitária”
Barbárie, destruição e omissão é o retrato da sociedade brasileira.
Refletir sobre o papel da universidade, em especial do seu potencial para atuar como pólo irradiador de reflexões e transformação é exigência primeira. .
“Mesmice e repetição sem criatividade”, nos acusará a maioria dos professores e intelectuais que ocupam cargos na universidade pública brasileira. “Arroubos” tardios da juventude. Acusação daqueles que, por opção ideológica, e não por ignorância, preferem a omissão e a passividade.
Lutar para colocar a universidade a favor da transformação social é nossa opção e mais, nossa obrigação. Luta antiga, tão antiga quanto a história da universidade na América Latina. O Manifesto de Córdoba, escrito em 1918, quando estudantes argentinos lutavam por mudanças na universidade, de impressionante atualidade, é claro:
…. “Las universidades han sido hasta aquí el refugio secular de los mediocres, la renta de los ignorante, la hospitalización segura de los inválidos y- lo que es peor aún-el lugar en donde todas las formas de tiranizar y de insensibilizar hallaron la cátedra que las dictara.
Las universidades han llegado a ser así el fiel reflejo de estas sociedades decadentes que se enpeñan en ofrecer el triste espectáculo de una inmovilidad senil. Por esto es que la ciencia, frente a estas casa mudas y cerradas , pasa silenciosa o entra mutilada y grotesca al servicio burocrático”.(Parte do Manifesto de Córdoba-1918)
Esta é nossa história; séculos de dominação ignorados ou tratados com subterfúgios. Dominação que, quando considerada como categoria analítica, é tratada com o enfoque de uma vassalagem cultural e despreza determinações históricas e sócio econômicas.
Quase um século depois do manifesto de Córdoba, nossas universidades continuam como sólidas colunas de sustentação de uma sociedade desigual, dependente e exportadora, novamente, de insumos primários e criando modelos desenvolvimentistas pautados na ótica de uma sociedade capitalista.
A universidade, assim, muda apenas de forma; reformatada para atender o novo modelo de sociedade capitalista pautada no desenvolvimento tecnológico.
Pretendemos iniciar, mais uma vez, um movimento pela grande recusa.
Esperamos que se espraie em uma onda humanizante e ilumista pelas universidades públicas.
E, quem sabe, neste novo momento da história, possamos materializar a grande recusa e contribuir para real transformação da sociedade brasileira.....
“...... então rapidamente, houve o reconhecimento de que a universidade é afinal apenas uma parte da sociedade mais ampla, do establishment.....
... É um protesto total, não só porque certamente foi deflagrado por um protesto contra males específicos, contra falhas específicas , mas ao mesmo tempo por um protesto contra todo o sistema de valores, contra todo o sistema de objetivos, todo sistema de desempenhos exigidos e praticados na sociedade estabelecida
Em outras palavras, é uma recusa a continuar aceitando e a se conformar com a cultura da sociedade estabelecida, não só com as condições econômicas, não só com as instituições políticas, mas com todo o sistema de valores que eles sentem estar apodrecido no âmago.
(Hebert Marcuse -Fala aos Estudantes- A grande recusa Hoje)
MOVIMENTO UNIVERSIDADE Crítica